[26/03/1980] Há 27 anos Sete anos depois de seu lançamento, o disco "The Dark Side Of The Moon", do Pink Floyd, quebra o recorde de permanência na parada norte-americana, que antes pertencia ao álbum "Tapestry", da cantora Carole King.
[26/03/1975] Há 32 anos O filme "Tommy", inspirado na obra de mesmo nome do The Who e composta pelo guitarrista Pete Townshend, estréia nos cinemas dos Estados Unidos. No mesmo mês, a trilha sonora despontaria entre os vinte álbuns mais vendidos no país.
segunda-feira, 26 de março de 2007
segunda-feira, 19 de março de 2007
Revista Mojo faz Top 20 dos narcóticos
A edição de dezembro da revista Mojo fez uma reportagem, na sua edição de dezembro, listando as vinte melhores músicas que falam sobre drogas. Veja abaixo:
1 - "White Rabbit" (Jefferson Airplane) - LSD
2 - "Tomorrow Never Knows" (Beatles) - LSD
3 - "Heroin" (Velvet Underground) - heroína
4 - "Sister Morphine" (Rolling Stones) - morfina e cocaína
5 - "Here Comes The Nice" (Small Faces) - metadrina
6 - "White Lines" (Grandmaster Flash & Melle Mel) - cocaína
7 - "Cokane in my Brain" (Dillinger) - cocaína
8 - "Signed D.C." (Love) - heroína
9 - "Higher than the Sun" (Primal Scream) - ecstasy
10 - "Cold Turkey" (Plastic Ono Band) - heroína
11 - "The Needle and the Damaged One" (Neil Young) - heroína
12 - "Who Put the Benzedrine on Mrs. Murphy's Ovaltine" (Harry 'The Hipster' Gibbon) - benzedrina
13 - "Eight Miles High" (The Byrds) - maconha, LSD e anfetamina
14 - "The Reefer Song" (Fats Weller) - maconha
15 - "Rainy Day Women #12 & 35" (Bob Dylan) - álcool e maconha
16 - "The Hashishin" (Ry Cooder/Buffy Sainte-Marie) - haxixe, cogumelos e LSD
17 - "Carbona Is Not Glue" (Ramones) - produto de limpeza chamado 'Carbona'
18 - "Journey To The Center of the Mind" (The Amboy Dukes) - vários alucinógenos
19 - "Pusherman" (Curtis Mayfield) - cocaína, maconha e outras
20 - "My Friend Jack" (The Smoke) - LSD
1 - "White Rabbit" (Jefferson Airplane) - LSD
2 - "Tomorrow Never Knows" (Beatles) - LSD
3 - "Heroin" (Velvet Underground) - heroína
4 - "Sister Morphine" (Rolling Stones) - morfina e cocaína
5 - "Here Comes The Nice" (Small Faces) - metadrina
6 - "White Lines" (Grandmaster Flash & Melle Mel) - cocaína
7 - "Cokane in my Brain" (Dillinger) - cocaína
8 - "Signed D.C." (Love) - heroína
9 - "Higher than the Sun" (Primal Scream) - ecstasy
10 - "Cold Turkey" (Plastic Ono Band) - heroína
11 - "The Needle and the Damaged One" (Neil Young) - heroína
12 - "Who Put the Benzedrine on Mrs. Murphy's Ovaltine" (Harry 'The Hipster' Gibbon) - benzedrina
13 - "Eight Miles High" (The Byrds) - maconha, LSD e anfetamina
14 - "The Reefer Song" (Fats Weller) - maconha
15 - "Rainy Day Women #12 & 35" (Bob Dylan) - álcool e maconha
16 - "The Hashishin" (Ry Cooder/Buffy Sainte-Marie) - haxixe, cogumelos e LSD
17 - "Carbona Is Not Glue" (Ramones) - produto de limpeza chamado 'Carbona'
18 - "Journey To The Center of the Mind" (The Amboy Dukes) - vários alucinógenos
19 - "Pusherman" (Curtis Mayfield) - cocaína, maconha e outras
20 - "My Friend Jack" (The Smoke) - LSD
domingo, 18 de março de 2007
Forgotten Idols
Já há algum tempo vem-me preocupando a tendencia moderna que cria símbolos descartáveis sguidamente mas que não conseguem de forma convicente perpetuar a importância de personalidades carismáticas que surgem como pontos de referencias para determinadas tendências politicas e artísticas como por exemplo revolucionários(Ghandi,Che,Lennin ),músicos que surgem como representantes de novas tendências e viram ícones (Syd Barret,Lou Reed,John Lennon,Ozzy Osbourne) as pessoas se aplainam cada vez mais em descobertas e inovações nos mais variados campos de subjetividade produzida pelo homem desde a Filosofia,Artes Plásticas e Política a falta de referencias as vezes provoca um afastamento por parte do publico .... e uma falta de reciclamento das tendências e uma geracao de Classicismo exacerbado...que desvaloriza as obras do presente em nome das do passado...vamos torcer para essa inatividade de explosões culturais...possa ser uma breve pausa para uma nova onda de criatividade como nós tivemos no comeco do sex XX (Picasso,Dali,Elvis,Beatles,Foulcault,Ghandi,Che) pra citar apenas alguns você ainda poderia complementar com no caso do Brasil com ícones como (Vinicius,Clarice Lispector,Carlos Drummond...etc..) não sei se fui bem claro na minha explanação não que hoje não se produza arte com qualidade...mas sinto falta das explosões...surtos de radicalização..Como já houve...Com os beatniks,os hippies,os punks,tropicalismo etc.... não que eu ache interessantes a porra-louquice de todos os movimentos citados mas entenda que são coisas que abalam as estrutura que quebram com os conceitos e isso esta faltando no momentos posso afirmar que as ultimas tendências por mais tímidas que fossem...
+ as aventuras da mercadoria – Baseado na obra de Guy Debord & Marx
+ Nirvana*
*Nirvana independente de gosto...mudou a forma como o mainstream era comandado varias bandas que hoje tem oportunidades de gravar seus álbuns por gravadoras pequenas e independentes...gracas ao nirvana quê mostrou a possibilidade de se investir em cenas locais e dar-lhes os devidos recursos para produzirem sua arte....
[18/03/1994] Há 13 anos A polícia confisca quatro armas e 25 caixas de munição na casa de Kurt Cobain. A queixa foi dada por Courtney Love, que temia que seu marido cometesse suicídio.
Logo depois ele cometeria suicídio...Pouco mais de um mês depois dia 15/04/94
Jerry Cantrell - Pro False Idol
Gave it all away, blood or songAnd there's nothing left,
used to be someone. Never really die,
live in magazines and on the radioHasbeen demi-god
come pray
Burned a ton of dough, no self-pride .Used to run now crawl,
half-tweaked and fried .And you're not the same, like rusted chrome,
relive glory days.Ignore your empty life
Pro false idol.Pro false idol.Pro false idol come pray
Big tipper let the meter runYellow taxi try to beat the sunNew York City see the worshippersHotel autograph solicitors
Infrequent sex, lie down with whores
Sleep the day away, freak boy roll on
Big tipper let the meter runYellow taxi try to beat the sun
New York City see the worshippers
Hotel autograph solicitors
+ as aventuras da mercadoria – Baseado na obra de Guy Debord & Marx
+ Nirvana*
*Nirvana independente de gosto...mudou a forma como o mainstream era comandado varias bandas que hoje tem oportunidades de gravar seus álbuns por gravadoras pequenas e independentes...gracas ao nirvana quê mostrou a possibilidade de se investir em cenas locais e dar-lhes os devidos recursos para produzirem sua arte....
[18/03/1994] Há 13 anos A polícia confisca quatro armas e 25 caixas de munição na casa de Kurt Cobain. A queixa foi dada por Courtney Love, que temia que seu marido cometesse suicídio.
Logo depois ele cometeria suicídio...Pouco mais de um mês depois dia 15/04/94
Jerry Cantrell - Pro False Idol
Gave it all away, blood or songAnd there's nothing left,
used to be someone. Never really die,
live in magazines and on the radioHasbeen demi-god
come pray
Burned a ton of dough, no self-pride .Used to run now crawl,
half-tweaked and fried .And you're not the same, like rusted chrome,
relive glory days.Ignore your empty life
Pro false idol.Pro false idol.Pro false idol come pray
Big tipper let the meter runYellow taxi try to beat the sunNew York City see the worshippersHotel autograph solicitors
Infrequent sex, lie down with whores
Sleep the day away, freak boy roll on
Big tipper let the meter runYellow taxi try to beat the sun
New York City see the worshippers
Hotel autograph solicitors
domingo, 4 de março de 2007
Underground nunca mais!
É típico: muitas pessoas sempre vêm sistematicamente repetindo a máxima de Charles DeGaulle que o Brasil não é um país sério, utilizando essa idéia para afirmar as mais diversas inverdades e meias-verdades sobre toda e qualquer faceta de nossa pátria, típicas de quem prefere apenas reclamar e não vê o que está acontecendo à sua volta, ou melhor, prefere ficar apenas nas palavras, sem demonstrar um mínimo poder de reação. Uma delas, onipresente em cadernos musicais e conversas de bar, é a de que o rock brasileiro está morto. Ou que, na verdade, nunca existiu. Dizer isso é um terrível engano: o que está errado no Brasil não é a qualidade da música, e sim o modo com o qual ela é distribuída.
Não vamos entrar naquela discussão da qualidade da música corporativa, e da necessidade da extinção desta para que outros artistas tenham oportunidades de levar adiante seus projetos. É fato: enquanto houver um show business, haverá a arte corporativa. A questão maior é a existência do meio termo entre o independente e o mega-sucesso. Isso é o que falta no Brasil. Das duas uma; ou você faz algo palatável para as massas, sem nenhuma tentativa de crescer como artista, ou você continua tocando para os mesmos conhecidos em um bar pequeno de sua cidade. É claro, isso não vale para todo estilo de música produzido por aqui. As gravadoras e as rádios respeitam e divulgam artistas de alguns estilos com público bem específico, como os sambistas de raiz, os MPBistas, neotropicalistas, etc, mas note que, geralmente, elas exigem de forma subliminar algo "representativo à cultura brasileira" para bancar um projeto de público limitado.
Aqui tocamos em um ponto bem obscuro dessas relações complexas entre arte, público, crítica, etc. O que é representativo à cultura brasileira? Vamos aos fatos: eu moro em um apartamento, no centro de uma cidade fria - Curitiba, a linda -, não gosto de ir à praia, não sei dançar, estou sempre ouvindo bandas com guitarras elétricas, bateria comendo solta e um sujeito cabeludo berrando como um porco em um abatedouro e tenho diversos amigos que se enquadram tranqüilamente em quase todos esses quesitos. Mas isso me torna menos brasileiro do que aquele cara que está mandando ver no cavaquinho em uma roda de samba qualquer, ou do retirante indo procurar emprego em São Paulo? Não, somos do mesmo país, e isso é prova de que acreditar em uma cultura nacional unânime e uniforme é uma besteira quase tão grande quanto acreditar na morte do rock brasileiro ou que Elvis ainda vive. Logo, em uma sociedade brasileira "globalizada", "cosmopolita" e "urbana", o rock é uma parte de nossa cultura tão importante quanto o forró ou o boi-bumbá.
Aqui reside o grande problema da música alternativa brasileira. Não existe espaço para ela no mercado. Em todos os lugares onde há um show business bem organizado, há também uma certa democracia de estilos e gêneros. Obviamente, há a música corporativa, tão pobre, mal-feita e relaxada quanto sua versão brasileira - Kelly Key, Bonde do Tigrão, Snoopy Dog e Britney Spears são equivalentes. Mas há, também, um espaço intermediário, com uma boa estrutura para shows, uma boa divulgação das músicas, um bom mercado de discos, mas preservando a qualidade do artista sempre. Às vezes são pequenas subsidiárias das majors, outras são selos independentes, mas a questão é que sempre há verba para bancar projetos que não visam somente o lucro, e isso vai do jazz ao post-rock, passando até mesmo pela música brasileira - sim, Bebel Gilberto fez um sucesso absurdo na gringolândia!
O resultado da inexistência desse meio-termo, como já foi dito, é a causa maior da suposta pobreza do rock nacional. Poderíamos elaborar uma lista infinita de bandas excelentes, que poderiam ter uma carreira profissional perene e bem sucedida, mas que não foram para frente porque não tinham como conciliar o ganha-pão e a arte. Outras não chegaram a acabar, mas perderam membros importantes, ou só fazem shows esporádicos, ou não conseguem fazer com que seu disco atinja a sonoridade desejada. Resumindo, não conseguem levar a cabo um conjunto de idéias que, na terra da rainha ou nos Estados Unidos, poderia ser muito bem sucedido.
Mas isso não quer dizer, de maneira alguma, que estamos em um labirinto sem saída, e que não há nenhuma chance de fazer um rock de qualidade sem ter medo de morrer de fome. Apesar de tudo, as coisas parecem mudar um pouco para nós que temos uma banda que foge ao óbvio e ao sucesso fácil. Por diversas vias, um meio termo entre o folclórico e o comercial começa a se abrir na cena musical popular brasileira, tanto dentro das grandes gravadoras quanto por intermédio de selos de pequeno e médio porte.
Há três anos, uma banda carioca, o Los Hermanos, resolveu fugir de sua pecha de one-hit-wonders e cometeu um grande disco, Bloco do Eu Sozinho. Eles estavam dentro do esquemão, já tinham seu sucesso nacional e poderiam simplesmente aproveitar essa boa onda para ganhar um dinheiro fácil e comprar um lote na Ilha de Caras. Mas, ao invés disso, preferiram gravar um disco complexo e maduro, utilizando toda a possibilidade de distribuição de uma grande gravadora nacional - a Abril - para mostrar ao público a sua noção de música, e não a noção de música que os outros estão acostumados. Não poderia ter dado mais certo; claro, eles não venderam tantos discos e também não criaram mais um mega-hit de proporções bíblicas tocado à exaustão, mas conseguiram um público grande o suficiente para mantê-los no topo, que realmente gosta de suas composições e que irá com certeza sustentar uma carreira longa e perene, sem a necessidade de um hit cretino ou um bonitão para aparecer no cartaz.
Não é isso exatamente o que uma banda independente quer? A possibilidade de viver de sua própria música, com um público cativo e interessado? O sucesso do Los Hermanos pode no momento ser um caso isolado hoje, mas quem sabe ele não abra os olhos das grandes gravadoras? Investir em uma carreira pode ser bem mais lucrativo do que investir em canções medíocres com sucesso incerto. Só o tempo vai dizer a verdadeira importância dos barbudos na história da música pop brasileira, mas espero que eles sejam vistos daqui a alguns anos como os precursores de toda uma geração de músicos talentosos bem-sucedidos e bem divulgados.
Outro caso interessante a ser visto é a existência e a proliferação de selos independentes pelo Brasil afora, como a Monstro Discos e a Midsummer Madness. Aos poucos, eles vão se tornando a casa de bandas que, mesmo sem sair do esquema independente, conseguem fazer shows disputados por todo o Brasil. Ainda não atingiram o patamar que deve ser alcançado - algo como uma Sub Pop, uma Chemikal Underground, uma Jeepster -, mas podemos ver o esforço do pessoal desses selos para torná-los cada dia maiores e mais bem conhecidos, e fazer com que seus discos tenham uma qualidade cada vez maior, refletindo cada vez mais a idéia do artista. O público ainda é muito limitado, mas ele vai começar a aumentar à medida que a divulgação boca-a-boca for atingindo mais e mais gente interessada. Claro, se houvesse aquelas "college radios" abaixo do Equador, as coisas se tornariam bem mais fáceis, mas temos que nos ater aos meios que já possuímos - a boca, por exemplo.
Não posso afirmar isso com convicção, até porque muitas vezes certas previsões são apenas frutos de nossas utopias, mas nós estamos presenciando o real nascimento do rock alternativo brasileiro. São festivais nascendo e crescendo, bandas novas abrindo espaço no mercado para um som elaborado e diferente, gravadoras abrindo espaço - mesmo que seja por engano - para novas propostas e pequenos selos começando a sair da puberdade. Mas e a nós, amantes da música, o que fazer? Comprar os discos, ir aos shows, comentar com os amigos sobre aquela banda que você viu na semana passada, encher o saco da rádio de sua cidade pedindo a nova do Psicotrópicos Deluxe* e, claro, pegar uma guitarra e tentar escrever uma puta canção. Esse é o canal: grandes músicas. A partir do momento em que o público tomar consciência das milhões de possibilidades que o rock - e o jazz, o blues, a MPB - nos trazem, basta estar no lugar certo com a música certa que tudo vai fluir naturalmente.
*Psicotrópicos Deluxe é uma banda de surf music instrumental de São José dos Pinhais, periferia de Curitiba. É apenas um exemplo de banda independente que eu acredito que todos deveriam ouvir, mas pode ser substituída por outra de sua preferência.
Francisco Marés, curitibano pentelho de 17 anos, ex-proprietário do blog Pangloss,toca baixo em uma banda sem nome e acha Sigur Rós lindo
Não vamos entrar naquela discussão da qualidade da música corporativa, e da necessidade da extinção desta para que outros artistas tenham oportunidades de levar adiante seus projetos. É fato: enquanto houver um show business, haverá a arte corporativa. A questão maior é a existência do meio termo entre o independente e o mega-sucesso. Isso é o que falta no Brasil. Das duas uma; ou você faz algo palatável para as massas, sem nenhuma tentativa de crescer como artista, ou você continua tocando para os mesmos conhecidos em um bar pequeno de sua cidade. É claro, isso não vale para todo estilo de música produzido por aqui. As gravadoras e as rádios respeitam e divulgam artistas de alguns estilos com público bem específico, como os sambistas de raiz, os MPBistas, neotropicalistas, etc, mas note que, geralmente, elas exigem de forma subliminar algo "representativo à cultura brasileira" para bancar um projeto de público limitado.
Aqui tocamos em um ponto bem obscuro dessas relações complexas entre arte, público, crítica, etc. O que é representativo à cultura brasileira? Vamos aos fatos: eu moro em um apartamento, no centro de uma cidade fria - Curitiba, a linda -, não gosto de ir à praia, não sei dançar, estou sempre ouvindo bandas com guitarras elétricas, bateria comendo solta e um sujeito cabeludo berrando como um porco em um abatedouro e tenho diversos amigos que se enquadram tranqüilamente em quase todos esses quesitos. Mas isso me torna menos brasileiro do que aquele cara que está mandando ver no cavaquinho em uma roda de samba qualquer, ou do retirante indo procurar emprego em São Paulo? Não, somos do mesmo país, e isso é prova de que acreditar em uma cultura nacional unânime e uniforme é uma besteira quase tão grande quanto acreditar na morte do rock brasileiro ou que Elvis ainda vive. Logo, em uma sociedade brasileira "globalizada", "cosmopolita" e "urbana", o rock é uma parte de nossa cultura tão importante quanto o forró ou o boi-bumbá.
Aqui reside o grande problema da música alternativa brasileira. Não existe espaço para ela no mercado. Em todos os lugares onde há um show business bem organizado, há também uma certa democracia de estilos e gêneros. Obviamente, há a música corporativa, tão pobre, mal-feita e relaxada quanto sua versão brasileira - Kelly Key, Bonde do Tigrão, Snoopy Dog e Britney Spears são equivalentes. Mas há, também, um espaço intermediário, com uma boa estrutura para shows, uma boa divulgação das músicas, um bom mercado de discos, mas preservando a qualidade do artista sempre. Às vezes são pequenas subsidiárias das majors, outras são selos independentes, mas a questão é que sempre há verba para bancar projetos que não visam somente o lucro, e isso vai do jazz ao post-rock, passando até mesmo pela música brasileira - sim, Bebel Gilberto fez um sucesso absurdo na gringolândia!
O resultado da inexistência desse meio-termo, como já foi dito, é a causa maior da suposta pobreza do rock nacional. Poderíamos elaborar uma lista infinita de bandas excelentes, que poderiam ter uma carreira profissional perene e bem sucedida, mas que não foram para frente porque não tinham como conciliar o ganha-pão e a arte. Outras não chegaram a acabar, mas perderam membros importantes, ou só fazem shows esporádicos, ou não conseguem fazer com que seu disco atinja a sonoridade desejada. Resumindo, não conseguem levar a cabo um conjunto de idéias que, na terra da rainha ou nos Estados Unidos, poderia ser muito bem sucedido.
Mas isso não quer dizer, de maneira alguma, que estamos em um labirinto sem saída, e que não há nenhuma chance de fazer um rock de qualidade sem ter medo de morrer de fome. Apesar de tudo, as coisas parecem mudar um pouco para nós que temos uma banda que foge ao óbvio e ao sucesso fácil. Por diversas vias, um meio termo entre o folclórico e o comercial começa a se abrir na cena musical popular brasileira, tanto dentro das grandes gravadoras quanto por intermédio de selos de pequeno e médio porte.
Há três anos, uma banda carioca, o Los Hermanos, resolveu fugir de sua pecha de one-hit-wonders e cometeu um grande disco, Bloco do Eu Sozinho. Eles estavam dentro do esquemão, já tinham seu sucesso nacional e poderiam simplesmente aproveitar essa boa onda para ganhar um dinheiro fácil e comprar um lote na Ilha de Caras. Mas, ao invés disso, preferiram gravar um disco complexo e maduro, utilizando toda a possibilidade de distribuição de uma grande gravadora nacional - a Abril - para mostrar ao público a sua noção de música, e não a noção de música que os outros estão acostumados. Não poderia ter dado mais certo; claro, eles não venderam tantos discos e também não criaram mais um mega-hit de proporções bíblicas tocado à exaustão, mas conseguiram um público grande o suficiente para mantê-los no topo, que realmente gosta de suas composições e que irá com certeza sustentar uma carreira longa e perene, sem a necessidade de um hit cretino ou um bonitão para aparecer no cartaz.
Não é isso exatamente o que uma banda independente quer? A possibilidade de viver de sua própria música, com um público cativo e interessado? O sucesso do Los Hermanos pode no momento ser um caso isolado hoje, mas quem sabe ele não abra os olhos das grandes gravadoras? Investir em uma carreira pode ser bem mais lucrativo do que investir em canções medíocres com sucesso incerto. Só o tempo vai dizer a verdadeira importância dos barbudos na história da música pop brasileira, mas espero que eles sejam vistos daqui a alguns anos como os precursores de toda uma geração de músicos talentosos bem-sucedidos e bem divulgados.
Outro caso interessante a ser visto é a existência e a proliferação de selos independentes pelo Brasil afora, como a Monstro Discos e a Midsummer Madness. Aos poucos, eles vão se tornando a casa de bandas que, mesmo sem sair do esquema independente, conseguem fazer shows disputados por todo o Brasil. Ainda não atingiram o patamar que deve ser alcançado - algo como uma Sub Pop, uma Chemikal Underground, uma Jeepster -, mas podemos ver o esforço do pessoal desses selos para torná-los cada dia maiores e mais bem conhecidos, e fazer com que seus discos tenham uma qualidade cada vez maior, refletindo cada vez mais a idéia do artista. O público ainda é muito limitado, mas ele vai começar a aumentar à medida que a divulgação boca-a-boca for atingindo mais e mais gente interessada. Claro, se houvesse aquelas "college radios" abaixo do Equador, as coisas se tornariam bem mais fáceis, mas temos que nos ater aos meios que já possuímos - a boca, por exemplo.
Não posso afirmar isso com convicção, até porque muitas vezes certas previsões são apenas frutos de nossas utopias, mas nós estamos presenciando o real nascimento do rock alternativo brasileiro. São festivais nascendo e crescendo, bandas novas abrindo espaço no mercado para um som elaborado e diferente, gravadoras abrindo espaço - mesmo que seja por engano - para novas propostas e pequenos selos começando a sair da puberdade. Mas e a nós, amantes da música, o que fazer? Comprar os discos, ir aos shows, comentar com os amigos sobre aquela banda que você viu na semana passada, encher o saco da rádio de sua cidade pedindo a nova do Psicotrópicos Deluxe* e, claro, pegar uma guitarra e tentar escrever uma puta canção. Esse é o canal: grandes músicas. A partir do momento em que o público tomar consciência das milhões de possibilidades que o rock - e o jazz, o blues, a MPB - nos trazem, basta estar no lugar certo com a música certa que tudo vai fluir naturalmente.
*Psicotrópicos Deluxe é uma banda de surf music instrumental de São José dos Pinhais, periferia de Curitiba. É apenas um exemplo de banda independente que eu acredito que todos deveriam ouvir, mas pode ser substituída por outra de sua preferência.
Francisco Marés, curitibano pentelho de 17 anos, ex-proprietário do blog Pangloss,toca baixo em uma banda sem nome e acha Sigur Rós lindo
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